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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mais uma vez, as palavras e eu


Que vontade de fazer greve!

Greve de comunicação, de entendimento, de tentativas de desculpas infundadas e inúteis, greve de sentimentos (e de sentimentalismos), de idéias, greve de mim. É isso! Queria ser, pelo menos hoje, mais leve do que o ar, e poder observar certas coisas que acontecem, com o distanciamento necessário, para não achar que estou perdendo a sanidade.

Queria poder acompanhar, passo a passo, esse processo mágico que dá poder às palavras, tanto as faladas quanto as escritas, de criar e também de arrasar, em questão de segundos. Logo eu, que gosto tanto delas, que preciso me expressar, quase tanto quanto preciso respirar, não faria isso, hoje. Só analisaria, em silêncio.

Descobri que ele, o silêncio, é a melhor, talvez a única arma contra as palavras destrutivas, pelo menos, no auge da tragédia. Quanto mais palavras se encontram no ar, vindas de lados opostos da questão, mais a ferida se abre, mais sangra, mais dói.

O silêncio também corta, também machuca (eu, fã das palavras, que o diga), mas é preferível, em casos assim.

Lágrimas não falam, ainda bem...por hoje, é só sentir e tentar absorver.

Para quem está em greve, e em guerra com as palavras, eu já falei até demais.



"Dissestes que se tua voz

Tivesse força igual

À imensa dor que sentes

Teu grito acordaria

Não só a tua casa

Mas a vizinhança inteira"


("Há Tempos" - Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A arte da comunicação



Eu falo. Falo sempre, falo bastante. Às vezes, muito...outras vezes, demais. Admito. Mas a minha fala, não é um monólogo : gosto de escutar, de interagir, não me entendo bem, sem comunicação.


Esses diálogos começam em mim, comigo. Tenho discussões ferrenhas, sozinha. Minha razão e minha emoção, quando resolvem debater...aff!

Quando falo com alguém, espero resposta, é lógico, nem que seja um "Não tenho a menor idéia!"...qualquer manifestação é válida. Mas, quando quero concluir um assunto, e a pessoa com quem estou conversando, fala algo, antes que eu consiga terminar, e esse algo, muda totalmente o caráter da conversa, como se ela se antecipasse, quisesse adivinhar, ou corresse para se "proteger" do que achou que eu diria (e eu não iria dizer), fica tudo tão confuso! Eu não sei se concluo minha idéia inicial, se me dedico a dizer que eu não ia falar sobre o aspecto que ela abordou, se paro tudo, pra começar de novo...o problema maior, é que, na dúvida, faço tudo isso junto, e, adivinha? Não faço nenhuma dessas coisas, direito.

Momentos bonitos, podem virar fumaça, frente a uma simples frase dita fora de hora. Nessas ocasiões, o meu "Tudo bem...", não tem nada de tudo bem. Nada nessa mão, nada na outra...palavras, apenas, só palavras, afinal. Mas quando o que temos, são só as palavras, elas ganham uma dimensão incrível.

Preciso me aperfeiçoar na arte da comunicação. Talvez, por ironia e para castigo de pessoas prolixas, como eu, o talento, para isso, esteja no calar. Paradoxo? Sim, o maior deles.

Vou começar a treinar, vou tentar ser econômica. Só temo que, os sentimentos não verbalizados, se acumulem de tal forma, que possam me afogar.

Tudo bem (que nada...!) : nadar, eu sei. Se tiver que ser contra a maré, acho que sobrevivo.